— nota de campo n.º 5 —
Spinosaurus: um caçador à beira de água
Resposta breve
Poucos dinossauros tiveram tanto azar como o Spinosaurus. Os primeiros ossos, encontrados no Egito, perderam-se em 1944, e o aspeto do predador teve de ser reconstruído ao longo de décadas. O essencial já se sabe: viveu no Norte de África durante o Cretácico, tinha maxilas compridas e estreitas e uma vela alta no dorso, e comia peixe. Se o apanhava a nadar ou a caminhar em águas rasas, isso ainda se discute.

Maxilas de pescador
O Spinosaurus tinha um focinho comprido e estreito e dentes direitos e cónicos, ótimos para segurar presas escorregadias. No Tyrannosaurus é tudo ao contrário: crânio maciço e dentes grossos que partiam osso. Maxilas assim denunciam um pescador, embora seja pouco provável que um predador de uns 14 metros recusasse outra presa que lhe aparecesse à frente.
A prova direta deixou-a um parente, o Baryonyx: na zona do ventre de um dos seus esqueletos conservaram-se restos de peixe. Pode dizer-se que a ementa veio anexada ao fóssil.
Para que servia a vela
A vela assenta em apófises altíssimas das vértebras do dorso. O que as cobria e que aspeto tinha tudo isso em vida, os ossos não contam em pormenor, porque os tecidos moles não se conservaram. «Vela» é uma alcunha prática, nada mais.
Há duas hipóteses. A vela podia funcionar como um cartaz, que permitia reconhecer os da mesma espécie e escolher parceiro, ou ajudar nas trocas de calor. A primeira ganhou força com um achado de 2026: uma nova espécie de Spinosaurus do Níger tinha na cabeça uma crista alta em forma de cimitarra, à qual é difícil encontrar outra utilidade que não seja fazer sinais aos congéneres. É um argumento, ainda não uma prova.
Nadador ou garça?
Ossos densos e uma cauda em forma de remo levaram a pensar que o Spinosaurus mergulhava atrás do peixe. Hoje a balança pende para o outro lado. Em 2024, os cálculos da densidade óssea em que assentava a ideia do mergulhador foram postos em causa, e em 2026 descreveu-se no Níger uma segunda espécie, Spinosaurus mirabilis, que viveu há cerca de 95 milhões de anos junto a rios de floresta, a centenas de quilómetros do mar. Os autores comparam-na a uma garça gigante, que pescava em águas até um par de metros de profundidade.
Os defensores da caça subaquática, porém, não baixaram os braços. Uma coisa é certa: o Spinosaurus estava longe de ser um verdadeiro réptil marinho como o Mosasaurus. «Vivia junto à água» pode querer dizer muita coisa, e apanhar peixe na margem não faz de ninguém um mergulhador.
Porque é desenhado de tantas maneiras
Foi o paleontólogo alemão Ernst Stromer quem descreveu o Spinosaurus, em 1915, a partir de ossos do Egito. Em 1944, esses ossos foram destruídos no bombardeamento de Munique; sobreviveram as descrições e os desenhos. A partir daí, a reconstrução foi sendo corrigida a cada novo achado, e o que mais a alterou foram os dados sobre as patas traseiras e a cauda. A estimativa atual, cerca de 14 metros e 7,4 toneladas, é mais recente do que muitos livros: os antigos 16–18 metros são hoje considerados exagerados. Daí que ilustrações de épocas diferentes pareçam mostrar animais diferentes.
Perguntas e respostas
O Spinosaurus sabia nadar?
Estava muito ligado à água, mas que tipo de nadador era continua em discussão. Os estudos de 2024–2026 apontam mais para um predador que andava pelas águas rasas e apanhava peixe como uma garça do que para um perseguidor subaquático. O debate não está fechado.
Quem ganharia: Spinosaurus ou Tyrannosaurus?
Nenhum, porque nunca se poderiam ter encontrado. Separam-nos dezenas de milhões de anos e um oceano, e esse duelo só existe no cinema.
Para que servia a vela?
O mais provável é que servisse para se exibir perante os congéneres; também se fala em trocas de calor. Resposta definitiva não há.
O que comia o Spinosaurus?
Sobretudo peixe, como indicam as maxilas e os dentes. Mas não há razões para o considerar um piscívoro estrito.


